A Forma de Governo da Igreja: Organização, Ministério e Oficiais
Este artigo examina a forma de governo da Igreja à luz das Sagradas Escrituras (versão Almeida Corrigida Fiel) e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (Capítulo XIV), abordando o princípio da autoridade, a organização da Igreja no Novo Testamento, o ministério eclesiástico, e os oficiais constituídos — pastores e evangelistas, presbíteros, diáconos e cooperadores — com seus respectivos requisitos bíblicos. Conclui-se que a Igreja é um organismo vivo e, ao mesmo tempo, uma organização, cujo governo é exercido por obreiros consagrados sob a autoridade de Cristo, conforme o modelo das Escrituras.
Neste artigo
"Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus" (Romanos 13:1). A autoridade é um princípio que perpassa toda a criação: existe hierarquia no céu, na terra e também na Igreja, pois todos estamos sob autoridade e todos prestamos contas a alguém. O próprio Senhor Jesus declarou: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6:38).
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, em seu Capítulo XIV, ensina que a forma de governo da Igreja é bíblica e define quem exerce autoridade no serviço do culto coletivo e nas questões doutrinárias e administrativas. Este artigo propõe-se a examinar, à luz da Palavra de Deus, a organização da Igreja, o seu ministério e os seus oficiais — pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos e cooperadores —, demonstrando que o modelo assembleiano tem por base as Sagradas Escrituras.
O Princípio da Autoridade e a Organização da Igreja
A Igreja é, ao mesmo tempo, um organismo vivo — por sua natureza espiritual — e uma organização, pois as primeiras comunidades cristãs já possuíam estrutura organizacional. No dia de Pentecostes, os discípulos estavam "todos concordemente no mesmo lugar" (Atos 2:1), e a igreja primitiva perseverava "na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (Atos 2:42). A organização se desenvolveu rapidamente: os apóstolos separaram sete homens para o diaconato (Atos 6:3); Paulo e Barnabé, juntamente com as igrejas, elegeram anciãos "em cada igreja" (Atos 14:23); e Tito foi deixado em Creta para que "de cidade em cidade estabelecesses presbíteros" (Tito 1:5).
O Novo Testamento registra ainda a existência de bispos e diáconos em Filipos (Filipenses 1:1) e de anciãos na igreja de Éfeso (Atos 20:17). Havia também o que hoje chamaríamos de disciplina eclesiástica (1 Coríntios 5:2-5), pessoas designadas para cuidar das finanças e levantar recursos para a obra (Romanos 15:25-27; 1 Coríntios 16:1-2), e crentes que viajavam portando cartas de recomendação (Romanos 16:1-2). Tudo isso demonstra que a Igreja, desde os seus primórdios, foi organizada sob autoridade espiritual e administrativa.
O Ministério da Igreja
O termo "ministério" é amplo nas Escrituras e refere-se ao desempenho de um serviço religioso especial, como o dos sacerdotes, o dos profetas e o dos apóstolos. A Igreja, como corpo de Cristo, reconhece que o Espírito Santo levanta e capacita pessoas para os diversos ministérios: "E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo" (1 Coríntios 12:5). O Senhor Jesus prepara os seus escolhidos "para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo" (Efésios 4:12).
Todos os que cooperam na Igreja são servos, cujo propósito é servir a Deus e ao seu povo para o aperfeiçoamento dos santos. O apóstolo Paulo descreve o ministro como despenseiro e obreiro do evangelho, e exorta: "cumpre o teu ministério" (2 Timóteo 4:5). Para a consagração de obreiros, a Igreja observa, entre outros requisitos, a experiência do batismo no Espírito Santo e a imposição de mãos do presbitério (1 Timóteo 4:14), conforme o modelo neotestamentário.
Pastores e Evangelistas
Pastores e evangelistas são geralmente identificados como "ministros do evangelho". O pastor é alguém consagrado para exercer a função de apascentador do rebanho de Deus: "Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue" (Atos 20:28). Apascentar é alimentar com a Palavra, cuidar e proteger o rebanho. São ordenadas para esse ministério pessoas com reconhecido chamado de Deus e verdadeira capacitação bíblica, cuja vida de dedicação e compromisso com a obra seja comprovada publicamente.
O pastor é o "anjo da igreja" (Apocalipse 2:1), a quem o Senhor Jesus Cristo delegou autoridade espiritual. Embora seja comum haver muitos pastores numa mesma igreja, apenas um deles é o pastor-presidente. O autor de Hebreus exorta: "Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas" (Hebreus 13:17). Os evangelistas, por sua vez, são homens separados para o ministério do crescimento da Igreja, como proclamadores das boas-novas de salvação. Pastores auxiliares e evangelistas cooperam com o pastor-presidente nas igrejas e congregações.
Os Presbíteros
Os termos "ancião", "presbítero" e "bispo" são sinônimos no Novo Testamento. Em Éfeso, Paulo mandou "chamar os anciãos da igreja" e os descreveu como aqueles a quem "o Espírito Santo vos constituiu bispos" (Atos 20:17,28). O apóstolo Pedro apresentou-se como "presbítero com eles" (1 Pedro 5:1), e João escreveu como "o presbítero ao amado Gaio" (3 João 1:1). Presbíteros e diáconos são cargos locais, consagrados nas igrejas locais, e os presbíteros são auxiliares dos pastores, constituindo o corpo auxiliar no governo da Igreja.
O exercício do presbiterato exige os requisitos bíblicos: "Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento" (1 Timóteo 3:2-3). Acrescentam-se o bom governo da própria casa (1 Timóteo 3:4), a maturidade espiritual — "não neófito" (1 Timóteo 3:6) — e o bom testemunho dos de fora (1 Timóteo 3:7). Paulo reitera essas instruções a Tito (Tito 1:6-8). Os presbíteros que governam bem são dignos de duplicada honra (1 Timóteo 5:17).
Os Diáconos
Os diáconos são pessoas separadas oficialmente perante a Igreja para a função de servir nas atividades eclesiásticas. O modelo bíblico está em Atos 6, quando os apóstolos orientaram: "Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio" (Atos 6:3). Eles cooperam na ordem do culto, na distribuição dos emblemas da Ceia do Senhor, no ensino e em diversos outros trabalhos, desde que autorizados por seus superiores.
As qualificações dos diáconos são claras: devem ser "honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé numa consciência pura" (1 Timóteo 3:8-9), sendo "maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas" (1 Timóteo 3:12). Antes de servirem, devem ser provados (1 Timóteo 3:10). O trabalho do diácono é digno de louvor: "os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus" (1 Timóteo 3:13).
Os Cooperadores
O termo "cooperador" é amplo no Novo Testamento e aplica-se a qualquer cargo ou função eclesiástica: "Porque nós somos cooperadores de Deus" (1 Coríntios 3:9). João Marcos, o autor do Evangelho, serviu como assistente de Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária e é chamado de cooperador: "tinham também a João como cooperador" (Atos 13:5). Os cooperadores são apresentados em reuniões apropriadas da Igreja e, em muitos lugares, são chamados auxiliares ou trabalhadores.
São convertidos a Cristo que se colocam à disposição do ministério local para atuar na sua obra, atendendo voluntariamente às atividades eclesiásticas sem estarem limitados às rotinas de uma só função. Todos — pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos e cooperadores — são, antes de tudo, servos, pois "nós somos cooperadores de Deus" (1 Coríntios 3:9). A obra é de Deus, e cada obreiro é um instrumento nas suas mãos para a edificação do corpo de Cristo.
As Convenções e a Unidade da Igreja
Na estrutura assembleiana, as convenções exercem um papel importante. O seu propósito é promover a moderação, a paz, a harmonia, a união e o intercâmbio entre as igrejas, bem como zelar pela observância da doutrina bíblica e incentivar a pregação do evangelho. Pastores e evangelistas são indicados por ministérios locais em convenções e ordenados perante a Igreja. O pastor-presidente é geralmente indicado por seu antecessor, podendo haver também eleição por aclamação ou voto secreto, conforme as normas estatutárias de cada igreja.
Embora cada igreja local tenha autoridade espiritual e administrativa interna, todas pertencem ao mesmo corpo de Cristo. A unidade da Igreja não anula a diversidade de dons e ministérios: "há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo" (1 Coríntios 12:5). Assim, sob a autoridade de Cristo, que é a cabeça da Igreja, os oficiais e as convenções trabalham em cooperação, "para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo" (Efésios 4:12).
Conclusão
Este artigo demonstrou, à luz da Bíblia e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que: (1) existe autoridade na Igreja, estabelecida por Deus e exercida conforme as Escrituras; (2) a Igreja é organismo vivo e, ao mesmo tempo, uma organização com estrutura neotestamentária; (3) o ministério é o serviço especial a Deus e ao seu povo, levantado e capacitado pelo Espírito Santo; (4) os oficiais são pastores e evangelistas, presbíteros, diáconos e cooperadores, cada um com requisitos bíblicos claros; e (5) as convenções promovem a unidade, a paz e a sã doutrina entre as igrejas.
O governo da Igreja, portanto, não é uma invenção humana, mas uma ordenança divina para o bom funcionamento do corpo de Cristo. Que cada obreiro exerça o seu ministério com fidelidade, "Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho" (1 Pedro 5:3), e que cada crente honre e ore pelos seus líderes, "porque velam por vossas almas" (Hebreus 13:17), até que venha o Supremo Pastor, Jesus Cristo, que recompensará a cada um segundo as suas obras. Amém.
Referências
- BÍBLIA. Português. Almeida Corrigida Fiel. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2007.
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- BÍBLIA. N. T. 1 Coríntios. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 Coríntios 3; 5; 12; 16.
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- BÍBLIA. N. T. Tito. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Tito 1.
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- BÍBLIA. N. T. Apocalipse. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Apocalipse 2.
- DECLARAÇÃO DE FÉ das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Capítulo XIV: Sobre a Forma de Governo.
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