Jesus Cristo: A Identidade do Filho de Deus e as Obras da Redenção
Este artigo examina a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo à luz das Sagradas Escrituras (versão Almeida Corrigida Fiel) e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (Capítulos IV e V), abordando os seus nomes e títulos, a encarnação (verdadeiro Deus e verdadeiro homem), a divindade absoluta, o significado de "Filho de Deus", o ministério terreno, o tríplice ofício de profeta, sacerdote e rei, a morte vicária, a expiação e a propiciação, e a ressurreição e ascensão. Conclui-se que Jesus Cristo é o Filho unigênito de Deus, o único mediador e o Salvador do mundo, cuja morte e ressurreição são o fundamento da fé cristã.
Neste artigo
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). Toda a fé cristã repousa sobre uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é o centro das Escrituras, a chave que abre tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, e a resposta de Deus para a condição perdida do homem. Não se trata de um mero mestre, profeta ou exemplo moral, mas do próprio Deus que se fez carne e habitou entre nós (João 1:14). Por isso, a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos continua a ecoar: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mateus 16:15).
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, em seus Capítulos IV e V, afirma que a morte e a ressurreição corporal de Cristo são "a viga mestra e o pilar da fé cristã". Este artigo propõe-se a examinar, à luz da Palavra de Deus, quem é Jesus — a sua identidade divina e humana — e o que Ele fez — a sua morte expiatória, a ressurreição e a ascensão —, demonstrando por que somente Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6).
Os Nomes e Títulos de Cristo
As Escrituras atribuem a Jesus diversos nomes e títulos que revelam a sua identidade e a sua missão. Ele é chamado "Jesus", "porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mateus 1:21); "Cristo", o Ungido de Deus (Mateus 16:16); "Emanuel", que significa "Deus conosco" (Mateus 1:23); "Filho do Altíssimo" (Lucas 1:32); "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29); "Senhor" (Romanos 10:9); "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim" (Apocalipse 1:8); e "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Apocalipse 19:16). Cada um desses títulos aponta para a sua divindade e para a sua obra redentora.
O próprio Jesus declarou a sua identidade por meio de afirmações absolutas que empregam o nome divino "Eu Sou": "antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8:58). Essas declarações ecoam o nome revelado a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3:14) e confirmam que Jesus é, desde a eternidade, o Deus que se revela. Diante de tão clara evidência, Tomé confessou: "Senhor meu, e Deus meu!" (João 20:28).
A Encarnação: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem
A encarnação é o mistério do Verbo eterno que assumiu a natureza humana: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (João 1:14). Jesus foi concebido no ventre da virgem Maria por obra do Espírito Santo, sem a participação de homem (Mateus 1:20; Lucas 1:35), e, por isso, é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, possuindo duas naturezas — a divina e a humana — unidas em uma só pessoa.
Em sua natureza humana, Jesus participou plenamente das nossas fraquezas, sem, contudo, pecar. Ele nasceu de uma mulher, cresceu "em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens" (Lucas 2:52), sentiu fome, sede, sono, cansaço, tristeza e angústia. Todavia, "não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" (1 Pedro 2:22), pois "em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hebreus 4:15). Essa união das duas naturezas era necessária para que, sendo homem, pudesse morrer pelos homens, e, sendo Deus, o seu sacrifício tivesse valor infinito e eterno.
A Divindade Absoluta de Jesus
A Bíblia afirma com clareza que Jesus é Deus. João declara: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1). Paulo escreve que Cristo é "sobre todos, Deus bendito eternamente" (Romanos 9:5) e que "nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Colossenses 2:9). O próprio Senhor afirmou: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30). Os atributos exclusivos de Deus são atribuídos a Jesus: ele é eterno (Isaías 9:6), onipotente (Apocalipse 1:8), onipresente (Mateus 18:20) e onisciente (João 16:30).
As obras de Jesus confirmam a sua divindade. Ele é o Criador: "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez" (João 1:3); "nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis" (Colossenses 1:16). Ele é a fonte da vida: "como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo" (João 5:26). Ele perdoa pecados, recebe adoração, ressuscita os mortos e é imutável: "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente" (Hebreus 13:8). Somente Deus poderia realizar tais obras.
O Significado de "Filho de Deus"
O título "Filho de Deus" não indica inferioridade, mas igualdade de essência com o Pai. Quando Jesus se declarou Filho de Deus, os judeus compreenderam que ele estava "fazendo-se igual a Deus" (João 5:18). O termo grego traduzido por "unigênito" (monogenés) significa "único da espécie", "único do tipo", e não "gerado" no sentido de criado. Jesus é o único Filho que possui a mesma essência do Pai: é tudo quanto Deus é.
Essa filiação divina e natural distingue-se da filiação adotiva dos crentes. Enquanto Jesus é o Filho por natureza, os salvos são feitos filhos por adoção, mediante a fé: "a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome" (João 1:12); "porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gálatas 3:26). Pela graça, o crente pode clamar "Aba, Pai" (Romanos 8:15), participando, por adoção, daquilo que Cristo possui por natureza.
O Ministério Terreno de Jesus
O propósito da vinda de Cristo ao mundo foi a redenção dos pecadores: "Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores" (1 Timóteo 1:15). O seu ministério terreno resume-se na trilogia ensinar, pregar e curar: "percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo" (Mateus 4:23). Jesus ensinava com autoridade singular, de modo que "nunca homem algum falou assim como este homem" (João 7:46).
Os milagres de Jesus revelam a extensão do seu poder e a sua identidade messiânica. Ele demonstrou autoridade sobre a natureza, acalmando a tempestade (Marcos 4:39); sobre o pecado, perdoando ofensas (Mateus 9:6); sobre as enfermidades, curando os doentes (Lucas 4:40-41); sobre os demônios, libertando os oprimidos (Marcos 5:6-8); e sobre a morte, ressuscitando os mortos (João 11:25). A respeito de si mesmo, declarou: "É-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28:18).
O Tríplice Ofício: Profeta, Sacerdote e Rei
Jesus exerceu o tríplice ofício (munus triplex) de profeta, sacerdote e rei — as três funções mais importantes do Antigo Testamento. Como profeta, ele é a boca de Deus, aquele que revela a vontade do Pai: "A palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou" (João 14:24). A multidão o reconhecia: "Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia" (Mateus 21:11).
Como sacerdote, Jesus é o mediador entre Deus e os homens: "há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1 Timóteo 2:5). O seu sacerdócio é superior ao de Arão, pois ele é "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores" (Hebreus 7:26) e ofereceu-se a si mesmo como sacrifício perfeito e único. Como rei, Jesus é "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Apocalipse 19:16), herdeiro legítimo do trono de Davi, cujo reino "não terá fim" (Lucas 1:33). Profeta que revela, sacerdote que reconcilia e rei que domina: em Cristo, as três funções se cumprem perfeitamente.
A Morte Vicária de Cristo
A morte de Jesus não foi um acidente nem o martírio de um justo, mas um sacrifício substitutivo: "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3). A morte vicária significa que ele morreu em nosso lugar, tomando sobre si a culpa que nos pertencia. O profeta Isaías anunciou: "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos" (Isaías 53:6).
Todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento prefigurava essa substituição: a imposição de mãos sobre o animal transferia simbolicamente a culpa do pecador para a vítima (Levítico 1:4). Jesus é o verdadeiro Cordeiro pascal: "Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Coríntios 5:7). Como afirma Pedro, "levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados" (1 Pedro 2:24). A morte de Cristo, portanto, foi em favor dos pecadores, satisfazendo a justiça divina em nosso lugar.
A Expiação e a Propiciação
Deus aceitou a morte de seu Filho como expiação pelos pecados. O termo "expiação" carrega a ideia de cobrir — cobrir com sangue —, pois "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hebreus 9:22). O sangue de Cristo, porém, é superior ao dos animais: "o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo" (Hebreus 9:14).
A morte de Cristo é também propiciação: o ato que apazigua a justa ira de Deus contra o pecado e satisfaz a sua santidade. João declara: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 João 2:2). Essa propiciação é fruto do amor de Deus: "Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados" (1 João 4:10). Pela expiação e pela propiciação, o pecador é reconciliado com Deus e recebe o perdão dos seus pecados.
A Ressurreição e a Ascensão de Cristo
A ressurreição de Cristo é o selo divino sobre a sua obra e a garantia da nossa fé. "Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3-4). A ressurreição foi corporal e atestada por muitas testemunhas: "Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas" (Atos 2:32). Sem ela, a fé seria vã (1 Coríntios 15:17); com ela, o crente tem viva esperança.
Após a ressurreição, Cristo ascendeu ao céu e assentou-se à direita de Deus: "foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus" (Marcos 16:19). Lá, ele intercede por nós e aguarda o tempo da sua volta. A ressurreição e a ascensão significam a sua exaltação e a vitória definitiva sobre o pecado, a morte e o diabo: "tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele" (Romanos 6:9). Por isso, o crente pode afirmar com ousadia que Jesus vive e reina para sempre.
Quem deseja uma introdução à fé cristã para leitura devocional encontra em Cristianismo Puro e Simples, de C. S. Lewis, um bom ponto de partida.
Conclusão
Este artigo demonstrou, à luz da Bíblia e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que Jesus Cristo é: (1) o Filho unigênito de Deus, portador de nomes e títulos que revelam a sua divindade; (2) verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado para a nossa redenção; (3) possuidor dos atributos e das obras exclusivas de Deus; (4) o profeta, sacerdote e rei que cumpre plenamente o plano divino; (5) o Cordeiro que morreu vicariamente em nosso lugar; (6) a nossa propiciação e expiação; e (7) o Senhor que ressuscitou e ascendeu ao céu, de onde voltará em glória.
Diante de tão grande salvação, cabe a cada pessoa responder à pergunta de Cristo: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mateus 16:15). A resposta correta transforma a vida: confessar que Jesus é o Senhor e crer que Deus o ressuscitou dos mortos é o caminho da salvação (Romanos 10:9). Que o nome que é sobre todo nome seja, para cada crente, o fundamento da fé, o objeto da adoração e a esperança da glória vindoura, "para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho" (Filipenses 2:10).
Referências
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- DECLARAÇÃO DE FÉ das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Capítulo IV: Sobre a Identidade do Senhor Jesus Cristo; Capítulo V: Sobre as Obras de Cristo.
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