A Verdadeira Adoração: O Culto Cristão e Seus Elementos à Luz das Escrituras
Este artigo examina a verdadeira adoração à luz das Sagradas Escrituras (versão Almeida Corrigida Fiel) e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (Capítulo XV), abordando a natureza da adoração como serviço sagrado, culto e reverência a Deus, a adoração pública e coletiva, a adoração individual, os elementos do culto cristão, a oração e o jejum. Conclui-se que a adoração genuína é aquela que nasce no coração e se expressa em espírito e em verdade, para a glória de Deus e a edificação do corpo de Cristo.
Neste artigo
"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23). A adoração é a vocação suprema da criatura para com o seu Criador: fomos feitos para glorificar a Deus e para nos deleitarmos nEle. Diante da tentação de receber os reinos do mundo, o Senhor Jesus respondeu com a Escritura: "Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás" (Mateus 4:10).
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, em seu Capítulo XV, ensina que a adoração é "serviço sagrado, culto, reverência a Deus por aquilo que Ele é e por suas obras". Este artigo propõe-se a examinar, à luz da Palavra de Deus, a natureza da verdadeira adoração, as suas dimensões pública e individual, os elementos do culto cristão e as disciplinas da oração e do jejum, demonstrando que o modelo de culto assembleiano tem por fundamento as Sagradas Escrituras.
A Natureza da Adoração: Serviço Sagrado, Culto e Reverência
A adoração é serviço sagrado, culto e reverência a Deus por aquilo que Ele é e por suas obras. O verbo adorar, na Escritura, não se limita a um momento de louvor, mas abrange toda a vida entregue ao Senhor: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás" (Mateus 4:10). O salmista expressa esse anseio do coração: "Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei" (Salmos 27:8).
Seguimos o modelo bíblico da adoração cristã sem nenhuma representação visual, pois Deus falou ao povo "do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes figura alguma" (Deuteronômio 4:12). Isso inclui as coisas que estão nos céus e na terra, como manda o segundo mandamento do Decálogo. Tal postura se faz necessária em razão da reverência devida a Deus, pois "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24). Assim, prestamos nossa adoração e nosso louvor em termos espirituais e imateriais, sem o uso de imagens de escultura ou de qualquer outro tipo de representação.
Entendemos que a adoração é o nosso reconhecimento de que Deus é digno de ser adorado, como resposta humana à natureza divina. Ela não pode ser dirigida a anjos ou a homens, pois o Senhor declara: "E a minha glória não a darei a outrem" (Isaías 48:11). Toda a glória pertence somente a Deus.
A Adoração Pública e Coletiva
Reunimo-nos como corpo de Cristo para a adoração pública ao Deus Trino. O Senhor Jesus prometeu: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mateus 18:20). A adoração pública é a atividade de glorificar a Deus em coletividade e serve também para a comunhão, o despertamento, a exortação e a edificação da Igreja.
Essa adoração pública é realizada com ordem e decência, para que os descrentes reconheçam a presença de Deus no culto e para que somente Deus seja adorado no culto da Igreja. O apóstolo Paulo mostra o efeito dessa adoração ordenada sobre o visitante: "os segredos do seu coração ficam manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós" (1 Coríntios 14:25). Na adoração pública, a oração, os cânticos, o ofertório, a pregação e o exercício dos dons espirituais servem "para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém" (1 Pedro 4:11).
A adoração pública é, portanto, um encontro com Deus em forma de diálogo: nós conversamos com Ele por meio das orações, dos cânticos e das ofertas, e Deus fala conosco por meio da sua Palavra, na pregação e no ensino, e das manifestações dos dons espirituais.
A Adoração Individual
Adoramos a Deus como crentes individualmente e em todo o tempo, pois "a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23). A verdadeira adoração nasce no coração e é expressa com obediência à vontade de Deus, sendo percebida pelo testemunho individual que glorifica ao Senhor da Igreja: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus" (Mateus 5:16).
Negamos que a adoração e a espiritualidade de alguém possam ser medidas, percebidas ou avaliadas exclusivamente pelo exercício dos dons espirituais. A adoração é uma atividade espiritual que precisa ser efetuada pelo poder e fruto do Espírito Santo na formação do caráter cristão na vida do adorador. Por isso, rejeitamos a hipocrisia e toda a aparência de piedade, pois o Senhor adverte: "Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim" (Mateus 15:8). Na adoração individual, buscamos a santificação pessoal, servindo a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor: "retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade" (Hebreus 12:28).
Os Elementos do Culto
Havia diversos elementos na adoração dos tempos do Antigo Testamento, como a oração, o sacrifício, a oferta, o louvor e o cântico. Fazia parte da liturgia judaica nas sinagogas do primeiro século d.C. a oração antífona do Shema ("ouve"), a confissão de fé dos judeus, a leitura bíblica e a exortação. Nossa liturgia, porém, é simples e pentecostal, conforme o modelo do Novo Testamento: "Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação" (1 Coríntios 14:26).
Ela consiste em oração, louvor, leitura bíblica, exposição das Escrituras Sagradas ou testemunho e contribuição financeira, ou seja, ofertas e dízimos. Entendemos que a adoração está incompleta na falta de pelo menos um desses elementos, exceto se as circunstâncias forem desfavoráveis ou contrárias. O cântico ocupa lugar central, pois a Palavra de Cristo deve habitar em nós "com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração" (Colossenses 3:16), e o convite permanece: "Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor" (Salmos 100:4).
Toda a liturgia deve ser conduzida em ordem: "Mas faça-se tudo decentemente e com ordem" (1 Coríntios 14:40), "porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos" (1 Coríntios 14:33). É com essa disposição que nos prostramos: "Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou" (Salmos 95:6).
A Oração
Oração é o ato consciente pelo qual a pessoa se dirige a Deus para se comunicar com Ele e buscar a sua ajuda, por meio de palavra ou pensamento. Temos diversas reuniões de oração e é nosso hábito a vida de oração: "Orai sem cessar" (1 Tessalonicenses 5:17). Nessa oração, individual e privativa ou congregacional, apresentamos a Deus nossa gratidão e nossas petições. O Senhor Jesus nos ensinou a orar ao Pai em secreto: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente" (Mateus 6:6).
Cremos no poder da oração: "A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tiago 5:16). Oramos pelas famílias, em favor de nossos pastores e líderes, pelos missionários, pela salvação de todas as pessoas e em favor das autoridades constituídas: "Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade" (1 Timóteo 2:1-2). Oramos também pela nação de Israel e por Jerusalém: "Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam" (Salmos 122:6), em favor dos enfermos, pelos presos e por diversos tipos de milagres, pois Deus "é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera" (Efésios 3:20).
A oração deve ser constante e no Espírito: "Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos" (Efésios 6:18). O exemplo da igreja primitiva nos ensina a orar uns pelos outros, sobretudo pelos que sofrem: "Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus" (Atos 12:5). É do agrado de Deus a oração dos seus santos; ela é usada metaforicamente como incenso que sobe diante de Deus num incensário.
O Jejum
O jejum é uma prática frequente entre nós, na vida diária dos crentes individualmente e também em reuniões de culto, com objetivo específico, como acontecia nos tempos bíblicos: "Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor" (Joel 1:14). A igreja de Antioquia jejuava enquanto servia ao Senhor: "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram" (Atos 13:2-3).
O jejum bíblico é a abstinência de alimento, acompanhada de uma atitude pessoal de contrição, dedicação e devoção, por certo tempo, com o propósito de afastar-se para buscar a Deus e dedicar-se a Ele de maneira exclusiva. Moisés, Elias e Jesus jejuaram quarenta dias e quarenta noites. Trata-se de um ato voluntário, de acordo com a necessidade de cada irmão ou irmã, cujo tempo de consagração é de decisão pessoal, envolvendo horas ou até mesmo dias.
O jejum pode ser absoluto ou parcial. É absoluto quando a abstenção envolve não comer e não beber; nesse caso as Escrituras são específicas: "Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite" (Ester 4:16). Assim foi o jejum de Saulo de Tarso quando se encontrou com Jesus: "E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu" (Atos 9:9). O jejum parcial é, geralmente, a abstenção apenas de alimento sólido. O ato de jejuar é sempre acompanhado de oração, pois orar e jejuar andam juntos na vida dos que buscam ao Senhor.
Conclusão
Este artigo demonstrou, à luz da Bíblia e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que: (1) a adoração é serviço sagrado, culto e reverência a Deus por aquilo que Ele é e por suas obras, prestada somente a Ele e sem o uso de imagens; (2) a adoração pública é o encontro coletivo do corpo de Cristo com o Deus Trino, para a sua glória e a edificação da Igreja; (3) a adoração individual nasce no coração e se expressa em obediência, testemunho e santidade; (4) os elementos do culto — oração, louvor, leitura, exposição da Palavra e contribuição — devem ser realizados com ordem e decência; (5) a oração é o meio de comunhão com Deus, poderosa em seus efeitos; e (6) o jejum é uma disciplina voluntária de consagração que acompanha a oração na busca do Senhor.
A verdadeira adoração, portanto, não é mera forma exterior, mas a rendição de todo o ser a Deus em espírito e em verdade. Que o nosso culto seja aceitável diante do Senhor, que as nossas orações subam como incenso ao seu trono e que o nosso jejum seja consagração sincera, até que nos prostremos diante dAquele que é digno de receber a glória, e a honra, e o poder, para todo o sempre. Amém.
Referências
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- BÍBLIA. N. T. 1 Tessalonicenses. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 Tessalonicenses 5.
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- BÍBLIA. N. T. Hebreus. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Hebreus 12.
- BÍBLIA. N. T. Tiago. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Tiago 5.
- BÍBLIA. N. T. 1 Pedro. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 Pedro 4.
- DECLARAÇÃO DE FÉ das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Capítulo XV: Sobre a Verdadeira Adoração.
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