Sobre Deus: A Existência, os Atributos e as Obras do Supremo Criador

Sobre Deus: A Existência, os Atributos e as Obras do Supremo Criador

Este artigo examina a doutrina de Deus à luz das Sagradas Escrituras (versão Almeida Corrigida Fiel) e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (Capítulo II), abordando a existência do Criador, a sua natureza espiritual, eterna, imutável e infinita, a unicidade divina (monoteísmo bíblico), os atributos naturais, morais e de poder, os nomes revelados no Antigo Testamento e as obras da criação, dos decretos e da providência. Conclui-se que Deus é o Supremo Ser, Criador e Mantenedor de todas as coisas, único e verdadeiro, digno de toda honra, glória e adoração.

Ewerton Uchôa Vieira Fiel12 min de leitura
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Neste artigo

"No princípio criou Deus o céu e a terra" (Gênesis 1:1). Antes de se estudar qualquer doutrina — a criação, o homem, o pecado ou a salvação —, é necessário voltar o olhar para Aquele que está na origem de todas as coisas: Deus. Toda a teologia bíblica repousa sobre esta verdade primeira e fundamental. O salmista proclama: "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Salmo 19:1), indicando que a própria criação testifica da existência e do poder do seu Criador.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, em seu Capítulo II, afirma: "cremos, professamos e ensinamos que Deus é o Supremo Ser, Criador do céu e da terra". Trata-se, portanto, do fundamento de toda a fé cristã: um Deus pessoal, vivo e verdadeiro, que se revela nas Escrituras, na criação e em Jesus Cristo. Este artigo propõe-se a examinar, à luz da Palavra de Deus, quem é Deus, quais são os seus atributos, como Ele se revelou pelo seu nome e quais são as suas obras, demonstrando por que somente Ele é digno de adoração.

A Existência de Deus

A Bíblia não se ocupa em provar a existência de Deus; ela a afirma desde a sua primeira frase, como um fato inquestionável: "No princípio criou Deus o céu e a terra" (Gênesis 1:1). As Escrituras partem do pressuposto de que Deus existe e de que Ele se dá a conhecer ao homem. O autor de Hebreus declara: "é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11:6). A existência de Deus, portanto, não é uma conclusão a que se chega, mas a base sobre a qual se constrói toda a vida de fé.

Essa verdade é confirmada pela revelação na criação. Paulo afirma que "as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas" (Romanos 1:20). O universo, em sua ordem, grandeza e beleza, aponta para um Criador inteligente e poderoso. Além disso, Deus se revelou de modo pleno e definitivo em seu Filho: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho" (Hebreus 1:1-2).

A Natureza de Deus: Espírito Eterno, Imutável e Infinito

Deus é espírito. O próprio Senhor Jesus ensinou: "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24). Sendo espírito, Deus não possui corpo material, não está limitado ao espaço nem ao tempo e não pode ser visto por olhos humanos. Paulo o descreve como "o Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio" (1 Timóteo 1:17), "aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver" (1 Timóteo 6:16).

Deus é eterno: não teve começo nem terá fim. O salmista declara: "Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus" (Salmo 90:2). Ele é também autoexistente, pois afirmou a Moisés: "EU SOU O QUE SOU" (Êxodo 3:14), indicando que possui vida em si mesmo e não depende de coisa alguma. Deus é imutável, pois Ele mesmo disse: "Porque eu, o Senhor, não mudo" (Malaquias 3:6); e Tiago acrescenta que Ele é "o Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tiago 1:17). É ainda infinito e transcendente: "Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito" (Salmo 147:5), habitando na eternidade e, ao mesmo tempo, fazendo-se presente junto aos humildes (Isaías 57:15).

A Unicidade de Deus: o Monoteísmo Bíblico

As Escrituras ensinam que há um só Deus. Esta é a grande confissão de Israel: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Deuteronômio 6:4). O próprio Deus declara a sua unicidade de modo absoluto: "Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus" (Isaías 45:5); "Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus" (Isaías 44:6). A Bíblia rejeita, portanto, tanto o politeísmo — a crença em muitos deuses — quanto o ateísmo, a negação de Deus.

No Novo Testamento, essa verdade permanece inalterada. Jesus orou: "a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3). Paulo confessa: "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele" (1 Coríntios 8:6). O cristão, portanto, crê e adora um único Deus, que subsiste eternamente em três pessoas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo —, conforme a doutrina da Trindade, examinada no capítulo seguinte da Declaração de Fé.

Os Atributos Naturais de Deus

Os atributos naturais são as perfeições que pertencem à essência de Deus. Além de ser espírito, eterno, autoexistente, invisível e imutável, Deus é um ser pessoal, que possui inteligência, emoções e vontade. As Escrituras o apresentam como alguém que fala ("E disse Deus: Haja luz", Gênesis 1:3), que vê ("E viu Deus que era boa a luz", Gênesis 1:4) e que ouve ("tenho ouvido o seu clamor", Êxodo 3:7). Deus não é uma força impessoal nem uma energia cósmica, mas um Deus vivo que se relaciona pessoalmente com a sua criação.

Deus é transcendente e imanente: está acima de toda a criação e, ao mesmo tempo, presente nela. "Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito" (Isaías 57:15). Essa dupla verdade revela que o Deus infinito, a quem os céus não podem conter, se inclina graciosamente para socorrer o homem. O salmista, maravilhado, exclama: "SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento" (Salmo 139:1-2).

Os Atributos Morais de Deus

Os atributos morais revelam o caráter santo de Deus. Ele é amor: "Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor" (1 João 4:8). É santo de modo absoluto e incomparável: "Não há santo como o Senhor; porque não há outro fora de ti" (1 Samuel 2:2); "Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?" (Êxodo 15:11). Deus é verdadeiro e fiel: "Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é" (Deuteronômio 32:4).

Deus é igualmente justo, bondoso, misericordioso e gracioso. O salmista declara: "O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras" (Salmo 145:9). A justiça de Deus o impede de praticar o mal, pois Ele é "tão puro de olhos, que não podes ver o mal" (Habacuque 1:13); e a sua misericórdia se manifesta plenamente na redenção, pois "Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou", nos salvou pela graça (Efésios 2:4-5). Todos esses atributos convivem em perfeita harmonia no caráter divino.

Os Atributos de Poder: Onipotência, Onisciência e Onipresença

Deus é onipotente: possui todo o poder e nenhuma coisa lhe é impossível. "Porque para Deus nada é impossível" (Lucas 1:37). O seu poder, contudo, é sempre exercido em conformidade com a sua natureza santa e justa, pois Ele não pode mentir (Tito 1:2) nem praticar o mal. Deus é também onisciente: conhece perfeitamente todas as coisas, passadas, presentes e futuras, reais ou possíveis. Ele declara: "Eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam" (Isaías 46:9-10). O seu entendimento é infinito e insondável (Isaías 40:28).

Deus é onipresente: está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. "Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor" (Jeremias 23:24). O salmista, reconhecendo que não pode fugir da presença divina, confessa: "Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também" (Salmo 139:7-8). Onipotência, onisciência e onipresença comprovam a grandeza e a infinitude do Deus único, diante do qual toda a criação se rende.

Os Nomes de Deus no Antigo Testamento

Deus se revelou ao seu povo por meio de nomes que expressam a sua natureza e os seus atributos. No hebraico, três termos designam Deus: El ("forte, proeminente"), Eloah e o plural Elohim, que indica a transcendência e a majestade do Criador — nome com o qual Ele é apresentado pela primeira vez: "No princípio criou Deus [Elohim] o céu e a terra" (Gênesis 1:1). Outros nomes revelam aspectos distintos do seu ser: Elyon, "Altíssimo" (Gênesis 14:19); Shadday, "Todo-poderoso" (Gênesis 17:1); e Adonay, "Senhor" (Isaías 6:1).

O nome mais solene é o Tetragrama YHVH (Yawéh/Javé), revelado a Moisés na sarça ardente: "EU SOU O QUE SOU" (Êxodo 3:14). Esse nome provém do verbo "ser" e revela que Deus é autoexistente, imutável e eterno — aquele que é, que era e que há de vir. O próprio Deus declarou: "O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó... este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração" (Êxodo 3:15). Cada nome, portanto, é uma janela pela qual o homem contempla a glória do Deus vivo.

As Obras de Deus: Criação, Decretos e Providência

A primeira grande obra de Deus é a criação. Ele trouxe o universo à existência do nada, pela sua palavra e pela sua livre vontade: "Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu" (Salmo 33:9); "Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados" (Hebreus 11:3). Tudo foi criado com propósito e para a glória de Deus: "Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas" (Apocalipse 4:11).

Além de criar, Deus sustenta e governa todas as coisas pela sua providência. Ele é quem "sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hebreus 1:3) conserva a criação, pois "nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (Atos 17:28). Os decretos divinos são o seu plano eterno e imutável, que se cumpre sem que nada o possa frustrar: "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Isaías 46:10). A criação, o sustento e o governo de Deus revelam um Criador pessoal e soberano, que conduz todas as coisas para os seus santos propósitos.

Quem quiser estudar os atributos divinos de forma sistemática encontra em Teologia Sistemática, de Stanley Horton, uma obra de referência.

Conclusão

Este artigo demonstrou, à luz da Bíblia e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que Deus é: (1) o Supremo Ser e Criador do céu e da terra; (2) espírito eterno, autoexistente, imutável e infinito; (3) único, não havendo outro além dele; (4) possuidor de atributos naturais, morais e de poder, como santidade, amor, justiça, onipotência, onisciência e onipresença; (5) revelado pelos seus santos nomes; e (6) autor de grandes obras, que cria, sustenta e governa todas as coisas pela sua providência.

Conhecer a Deus é o maior privilégio e o mais elevado propósito do homem, pois "a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3). Que cada crente, contemplando a grandeza do Criador, responda como o apóstolo Paulo, em adoração: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." (Romanos 11:33,36).

Referências

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  • BÍBLIA. N. T. 1 João. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 João 4.
  • BÍBLIA. N. T. Apocalipse. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Apocalipse 4.
  • DECLARAÇÃO DE FÉ das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Capítulo II: Sobre Deus.

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