O Homem e o Pecado: A Criação à Imagem de Deus e a Queda da Humanidade

O Homem e o Pecado: A Criação à Imagem de Deus e a Queda da Humanidade

Este artigo examina a doutrina do homem e do pecado à luz das Sagradas Escrituras (versão Almeida Corrigida Fiel) e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (Capítulos VII e IX), abordando a criação do homem à imagem e semelhança de Deus, a constituição humana (corpo, alma e espírito), a definição e a origem do pecado, a Queda no Éden, o pecado original e a corrupção total do gênero humano, as consequências do pecado (a morte) e a restauração operada por Cristo. Conclui-se que o homem, criado perfeito, caiu pelo pecado, mas pode ser redimido e restaurado pela graça de Deus em Jesus Cristo.

Ewerton Uchôa Vieira Fiel11 min de leitura
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"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente" (Gênesis 2:7). Duas verdades fundamentais percorrem toda a Escritura: o homem é a coroa da criação de Deus, feito à sua imagem e semelhança; e esse mesmo homem caiu, pelo pecado, afastando-se do seu Criador. Compreender quem é o ser humano e o que o pecado lhe fez é essencial para entender a necessidade e a grandeza da salvação.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, em seus Capítulos VII e IX, afirma que o homem é criação de Deus e que o pecado é "a transgressão da Lei de Deus". Este artigo propõe-se a examinar, à luz da Palavra de Deus, a origem e a constituição do homem, a entrada do pecado no mundo e as suas consequências, apontando para a redenção que há somente em Jesus Cristo.

A Criação do Homem à Imagem de Deus

O homem foi criado por Deus como o ponto mais elevado da criação. Antes de criá-lo, Deus declarou: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gênesis 1:26). E o relato acrescenta: "E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gênesis 1:27). Ser imagem e semelhança de Deus significa que o homem é um ser pessoal, racional, moral e espiritual, distinto de todas as demais criaturas.

Essa dignidade única é confirmada pelo salmista: "Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste" (Salmo 8:5). O homem foi coroado de honra e glória, dotado de livre-arbítrio e colocado como mordomo da criação. Mesmo após a Queda, essa imagem permanece, ainda que desfigurada, pois Tiago adverte que os homens são "feitos à semelhança de Deus" (Tiago 3:9). Nenhuma outra criatura recebeu tamanha honra: o homem é a coroa da obra criadora de Deus.

A Constituição Humana: Corpo, Alma e Espírito

A Bíblia revela que o ser humano é constituído de uma parte material e de duas imateriais: o corpo, a alma e o espírito. Paulo expressa essa constituição tríplice ao desejar que "todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tessalonicenses 5:23). O autor de Hebreus confirma a distinção ao falar da Palavra que "penetra até à divisão da alma, e do espírito" (Hebreus 4:12).

O corpo é o "homem exterior", o invólucro físico e mortal do espírito e da alma; a alma e o espírito constituem o homem interior, que "se renova de dia em dia" (2 Coríntios 4:16). Paulo distingue três condições humanas: o "homem natural", que não compreende as coisas de Deus (1 Coríntios 2:14); o "homem carnal", dominado pela carne (1 Coríntios 3:1-3); e o "homem espiritual", que discerne todas as coisas (1 Coríntios 2:15). O corpo, longe de ser algo mau ou desprezível, é "templo do Espírito Santo" (1 Coríntios 6:19) e será ressuscitado na glória.

O Homem Interior: Alma e Espírito

A alma é a sede das emoções, dos desejos, das paixões e do intelecto, o centro afetivo e moral da vida humana, pela qual o homem sente, alegra-se e sofre. O espírito, por sua vez, é o elemento colocado por Deus no interior do homem (Zacarias 12:1), por meio do qual ele adora a Deus e se torna morada do Espírito Santo: "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Romanos 8:16).

Alma e espírito são substâncias imateriais, distintas, porém inseparáveis, que sobrevivem à morte física: "E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Eclesiastes 12:7). Na morte, o ser humano parte para um de dois destinos: o céu, na presença do Senhor, ou a perdição eterna. Por isso, a Escritura rejeita a reencarnação e a comunicação dos mortos com os vivos, pois "aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9:27).

A Definição e os Nomes do Pecado

O pecado é a transgressão da Lei de Deus e a quebra do relacionamento do homem com o seu Criador. João declara: "Qualquer que comete pecado, também comete iniquidade; porque o pecado é iniquidade" (1 João 3:4). O termo hebraico chatá e o grego hamartia significam, ambos, "errar o alvo": pecar é desviar-se do alvo e do propósito que Deus estabeleceu para a vida humana.

As Escrituras empregam diversos termos para descrever o pecado em suas múltiplas faces: transgressão, desobediência, impiedade, maldade, perversidade, engano, iniquidade, injustiça e incredulidade. A sua universalidade é um dos temas mais claros da Bíblia: "Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque" (Eclesiastes 7:20); "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23). Ninguém, por si mesmo, escapa à realidade do pecado.

A Origem do Pecado

O pecado não se originou em Deus, nem foi por Ele causado. Tiago adverte: "Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta" (Tiago 1:13). O pecado surgiu, antes da criação do homem, no coração de um querubim ungido que se rebelou contra Deus e se tornou Satanás: "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti" (Ezequiel 28:15). Com ele, um grupo de anjos também se rebelou, tornando-se demônios.

A tentação, portanto, envolve a sedução externa do mal e os desejos interiores do homem: "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1:14-15). O pecado nasce quando a vontade humana, livremente, cede à sedução e desobedece a Deus.

A Queda no Éden

Deus criou o homem reto e em total inocência, e lhe deu uma única ordem: "da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2:17). Contudo, a serpente — identificada como o diabo e Satanás — enganou Eva, e o casal desobedeceu: "E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela" (Gênesis 3:6).

A Queda teve consequências imediatas. A comunhão com Deus foi rompida de imediato: "as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus" (Isaías 59:2). Os olhos do casal foram abertos, conheceram a nudez e o medo, e esconderam-se da presença de Deus. O juízo divino recaiu sobre a serpente, sobre a mulher e sobre o homem. Todavia, já ali Deus prometeu o Redentor: "esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gênesis 3:15), anunciando a vitória final de Cristo sobre Satanás.

O Pecado Original e a Corrupção Total do Gênero Humano

O pecado de Adão não foi um ato isolado: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram" (Romanos 5:12). A partir de Adão, toda a humanidade nasce em pecado: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Salmo 51:5). Esse é o pecado original: a pecaminosidade universal e hereditária da raça humana.

A corrupção atingiu o homem em toda a sua composição — corpo, alma e espírito. A Bíblia declara: "Não há um justo, nem um sequer" (Romanos 3:10); o coração humano tornou-se "enganoso... mais do que todas as coisas, e perverso" (Jeremias 17:9); e todos estão "mortos em ofensas e pecados" (Efésios 2:1). Essa corrupção prejudicou o intelecto, as emoções, a vontade, a consciência e a razão, de modo que ninguém pode voltar-se para Deus sem o auxílio da graça divina. A imagem de Deus, porém, não foi aniquilada, mas desfigurada — e a sua restauração só é possível em Cristo.

As Consequências do Pecado: A Morte

A consequência primeira do pecado é a morte, em suas três dimensões. A morte espiritual é o estado do pecador sem Cristo, separado de Deus: "estando vós mortos em ofensas e pecados" (Efésios 2:1). A morte física é o destino comum de todos, pois "o salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23). E a morte eterna — chamada de segunda morte — é a condenação final dos que rejeitarem a salvação (Apocalipse 20:14).

Como a morte é universal, ela constitui a prova incontestável da universalidade do pecado. Todavia, a mensagem bíblica não termina na condenação: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 6:23). A morte não é a palavra final: ela foi vencida no Calvário por Cristo, que trouxe vida e imortalidade à luz.

A Restauração em Cristo

Diante da ruína provocada pelo pecado, Deus providenciou a redenção. A natureza humana, corrompida pela Queda, pode ser eficazmente regenerada por Cristo: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Coríntios 5:17). O novo nascimento é a porta dessa restauração: "aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5).

Onde o primeiro Adão fracassou, o último Adão, Cristo, venceu: "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo" (1 Coríntios 15:22). O pecado veio por um homem e trouxe condenação a todos; a justiça veio por um homem — Jesus Cristo — e trouxe justificação e vida. A imagem de Deus, desfigurada pela Queda, é restaurada no crente, que é criado de novo "em Cristo Jesus para as boas obras" (Efésios 2:10).

Conclusão

Este artigo demonstrou, à luz da Bíblia e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, que: (1) o homem é criação de Deus, feito à sua imagem e semelhança; (2) constituído de corpo, alma e espírito; (3) o pecado é a transgressão da Lei de Deus, cuja origem está na rebelião de Satanás; (4) pela Queda no Éden, o pecado entrou no mundo e contaminou toda a humanidade; (5) a consequência do pecado é a morte, em suas dimensões espiritual, física e eterna; e (6) somente em Cristo o homem é restaurado e redimido.

Compreender a doutrina do homem e do pecado é o ponto de partida para compreender a graça de Deus. Quanto mais se reconhece a profundidade da Queda, mais se exalta a grandeza da redenção: "onde o pecado abundou, superabundou a graça" (Romanos 5:20). Que cada crente, ciente da sua condição perdida e da misericórdia que o alcançou, viva em novidade de vida, como nova criatura em Cristo Jesus, para a glória de Deus. Amém.

Referências

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  • DECLARAÇÃO DE FÉ das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Capítulo VII: Sobre o Homem; Capítulo IX: Sobre o Pecado e suas Consequências.
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