A Segunda Vinda de Cristo: Arrebatamento, Tribulação, Milênio e a Bendita Esperança

A Segunda Vinda de Cristo: Arrebatamento, Tribulação, Milênio e a Bendita Esperança

Este artigo examina a doutrina da Segunda Vinda de Cristo à luz das Escrituras Sagradas e da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, adotando a perspectiva pré-tribulacionista e pré-milenista. São analisadas as duas fases: o arrebatamento da Igreja e a vinda em glória, o Tribunal de Cristo, as Bodas do Cordeiro, o Anticristo e o Milênio.

Graça & Verdade9 min de leitura
Compartilhar:
Neste artigo

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo" (Tito 2:13). A Segunda Vinda de Cristo é a esperança central do cristianismo e um dos pilares da fé assembleiana. A Declaração de Fé afirma: "Cremos, professamos e ensinamos que a Segunda Vinda de Cristo é um evento a ser realizado em duas fases. A primeira é o arrebatamento da Igreja antes da Grande Tribulação... a segunda fase é a sua vinda em glória depois da Grande Tribulação e visível aos olhos humanos". Esta posição, conhecida como pré-tribulacionista e pré-milenista, é distintiva do pentecostalismo clássico e das Assembleias de Deus.

Mais do que mera especulação escatológica, a doutrina da Segunda Vinda possui implicações práticas profundas: produz santidade (1 João 3:2-3), vigilância (Mateus 25:13), perseverança na obra de Deus (1 Coríntios 15:58) e consolo diante da morte (1 Tessalonicenses 4:18).

A Promessa da Volta de Cristo

A Segunda Vinda não é uma doutrina marginal ou tardia. Jesus prometeu pessoalmente: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14:1-3). Na Sua ascensão, dois anjos confirmaram aos discípulos: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir" (Atos 1:11). O próprio Enoque, sétimo depois de Adão, profetizou: "Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos" (Judas 1:14). A promessa da volta de Cristo percorre toda a Escritura.

O Arrebatamento da Igreja

A primeira fase da Segunda Vinda é o arrebatamento, quando Cristo virá nos ares para buscar a Sua igreja. Paulo descreve este evento com detalhes: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4:16-17). A palavra "arrebatados" traduz o grego harpazo, que significa "tomar à força, arrancar, raptar", de onde deriva o termo latino raptus (rapto).

Paulo acrescenta que "nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta" (1 Coríntios 15:51-52). Os crentes vivos terão seus corpos transformados em corpos gloriosos e incorruptíveis, enquanto os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Ambos os grupos se encontrarão com o Senhor nos ares. Este evento, segundo a Declaração de Fé, "será invisível aos olhos do mundo, porém seus efeitos serão perceptíveis". Será repentino, sem sinais prévios que permitam datação, podendo ocorrer a qualquer momento.

O Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro

Após o arrebatamento, enquanto a Grande Tribulação ocorre na terra, a igreja estará com Cristo nos céus, onde dois eventos ocorrerão.

O Tribunal de Cristo

O primeiro é o Tribunal de Cristo, onde os crentes serão galardoados segundo suas obras: "Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal" (2 Coríntios 5:10). É importante distinguir: este tribunal não é para condenação — "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8:1) — mas para galardão ou perda de galardão. Paulo compara a obra de cada crente a materiais que serão provados pelo fogo: ouro, prata, pedras preciosas permanecem; madeira, feno, palha são consumidos (1 Coríntios 3:12-15).

As Bodas do Cordeiro

O segundo evento é as Bodas do Cordeiro, descritas em Apocalipse 19:7-9: "Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou." A igreja é a Noiva de Cristo, e as bodas representam a união definitiva entre Cristo e Seu povo redimido. A Declaração de Fé afirma que é "um momento de gozo e de alegria" onde "será culminado o plano da redenção".

A Grande Tribulação

Enquanto a igreja está com Cristo, a terra enfrentará um período de sete anos de angústia sem precedentes. Jesus profetizou: "porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais" (Mateus 24:21). O profeta Daniel estabeleceu a cronologia: "setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo" (Daniel 9:24), sendo a última semana (sete anos) o período da Tribulação. A Declaração de Fé explica que se trata de "um período de transição entre a dispensação da Igreja e o Milênio". Jeremias descreveu este período como "tempo de angústia para Jacó" (Jeremias 30:7).

O Anticristo e o Falso Profeta

A Grande Tribulação será marcada pela manifestação do Anticristo, descrito por Paulo como "o homem do pecado, o filho da perdição; o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus" (2 Tessalonicenses 2:3-4). O termo "anticristo" é usado por João (1 João 2:18,22; 4:3) e designa um indivíduo que personifica a oposição total a Cristo. É importante observar que, embora o espírito do anticristo já atue no mundo (1 João 4:3), a manifestação do Anticristo como pessoa será um evento futuro e específico.

Em Apocalipse 13, ele é identificado como "a besta que subiu do mar", recebendo poder de Satanás para dominar o mundo e sendo auxiliado por um Falso Profeta, que realizará sinais enganadores para desviar a humanidade da verdade. A marca da besta será imposta como controle econômico e religioso total (Apocalipse 13:16-17).

A Vinda de Cristo em Glória

Ao final dos sete anos de Tribulação, Cristo retornará à terra de forma visível e gloriosa. Esta é a segunda fase da Segunda Vinda: "E, então, verão vir o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória" (Lucas 21:27). João descreve com majestade: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele" (Apocalipse 1:7). Diferentemente do arrebatamento, que será invisível ao mundo, esta vinda será pública e universal. Cristo retornará acompanhado "com todos os seus santos" (1 Tessalonicenses 3:13) — a igreja glorificada — para derrotar o Anticristo e o Falso Profeta, julgar as nações e estabelecer Seu Reino milenar.

O Milênio

Após a derrota do Anticristo, Cristo estabelecerá Seu Reino literal na terra por mil anos. João descreve: "Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem" (Apocalipse 20:2-3).

As Assembleias de Deus sustentam a posição pré-milenista, crendo que Cristo retornará antes do Milênio para inaugurá-lo pessoalmente, distinguindo-se do amilenismo (que interpreta o Milênio simbolicamente) e do pós-milenismo (que crê que a igreja estabelecerá o Reino antes da volta de Cristo). A Declaração de Fé ensina que, nesse período, "Satanás estará aprisionado no abismo" e "a sua ação destruidora na terra será neutralizada", estabelecendo uma era de justiça, paz e prosperidade sob o governo de Cristo.

Implicações Práticas da Esperança Escatológica

A doutrina da Segunda Vinda não deve produzir especulação ociosa, mas transformação de vida.

Santidade. João afirma: "E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro" (1 João 3:3). A bendita esperança gera santidade.

Vigilância. Jesus advertiu sobre a necessidade de vigilância: "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir" (Mateus 25:13). A iminência da volta de Cristo exige prontidão constante.

Consolo. Paulo conclui seu ensino sobre o arrebatamento com uma exortação pastoral: "Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras" (1 Tessalonicenses 4:18). A doutrina da Segunda Vinda é fonte de consolo diante da morte e do sofrimento.

Missão. Ela também motiva o fervor missionário: sabendo que "o Senhor não retarda a sua promessa... mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2 Pedro 3:9), a igreja deve acelerar a proclamação do evangelho enquanto há tempo.

Conclusão

A Segunda Vinda de Cristo é a bendita esperança da igreja. A cronologia bíblica conforme a perspectiva assembleiana apresenta: o arrebatamento da igreja antes da Grande Tribulação; o Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro nos céus; a Grande Tribulação na terra; a manifestação do Anticristo; a vinda de Cristo em glória para derrotar o mal; e o estabelecimento do Reino milenar.

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus sintetiza esta doutrina com clareza, mantendo a fidelidade ao texto bíblico. Mais do que um mapa escatológico, a Segunda Vinda é a certeza que impulsiona a igreja à santidade, à vigilância e à missão. A última oração da Bíblia é o clamor de todo crente fiel: "Amém. Ora vem, Senhor Jesus!" (Apocalipse 22:20). Que cada crente viva à luz desta esperança, "aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo" (Tito 2:13).

Referências

  • BÍBLIA. Português. Almeida Corrigida Fiel. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2007.
  • BÍBLIA. A. T. Daniel. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Daniel 9.
  • BÍBLIA. A. T. Jeremias. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Jeremias 30.
  • BÍBLIA. N. T. Mateus. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Mateus 24; 25.
  • BÍBLIA. N. T. Lucas. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Lucas 21.
  • BÍBLIA. N. T. João. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. João 14.
  • BÍBLIA. N. T. Atos. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Atos 1.
  • BÍBLIA. N. T. 1 Coríntios. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 Coríntios 3; 15.
  • BÍBLIA. N. T. 1 Tessalonicenses. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 Tessalonicenses 3; 4.
  • BÍBLIA. N. T. 2 Tessalonicenses. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 2 Tessalonicenses 2.
  • BÍBLIA. N. T. Tito. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Tito 2.
  • BÍBLIA. N. T. 1 João. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. 1 João 2; 3; 4.
  • BÍBLIA. N. T. Judas. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Judas 1.
  • BÍBLIA. N. T. Apocalipse. In: BÍBLIA. Almeida Corrigida Fiel. 2007. Apocalipse 1; 13; 19; 20; 22.
  • DECLARAÇÃO DE FÉ das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. Capítulo XXII: Sobre a Segunda Vinda de Cristo.
Compartilhar:

Artigos relacionados

Receba novos artigos

Inscreva-se para receber estudos bíblicos, devocionais e reflexões diretamente na sua caixa de entrada.